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AS MÃOS LIMPAS

Se Fernando Ferrari fosse vivo e hoje convivesse com os políticos e seus partidos, por certo descobriria que a sujeira que combateu, continua campeando solta e se espraiando, como diria Olívio Dutra, por este Brasil afora.

Não quero dizer com isso que o PT tenha inventado a corrupção. Se o lulopetismo tem algum mérito neste processo foi o de sistematizar o desvio de dinheiro público através do aparelhamento do Estado. Não é coisa do linguajar, nem da prática do lulopetismo, o respeito à coisa pública, ao dinheiro público, ao próprio público pagante. O fato é que corrupção sempre houve e, infelizmente, apesar das controvérsias, sempre haverá, pelo menos nesta Pátria amada e idolatrada.

A explicação é simples: a corrupção está no DNA da maioria dos políticos. O que importa é a conquista do poder pelo poder. O bem comum é apenas um discurso. Conviver com o poder, com um monte de dinheiro dos outros (do respeitável público) e com uma diversidade de interesses que permeia as relações entre políticos e empresários, não é fácil! É muita tentação, o que exige muito caráter. Precisa muita integridade para resistir e não se arrepender. Infelizmente, a sordidez se manifesta e destrói qualquer chance de valorização do político.

Pois Fernando Ferrari denunciou isso. Mais: provou na prática que num país em que a corrupção corre solta, é possível dizer não aos conchavos. Poderia escolher os caminhos mais fáceis, os atalhos tortuosos e ir longe na política. Poderia, sim, mas optou pela estrada da retidão. Fernando Ferrari foi um dos poucos homens públicos que passaria incólume por uma devassa na sua vida privada. Viveu com o que ganhava pela sua atividade honrada, tanto que morreu pobre. Vejam ao ponto que chegamos: morrer pobre passou a ser mérito, pelo menos na área política. O fato é que foi um homem íntegro pois, com certeza, foi tentado, mas teve a coragem de dizer não.

Ferrari disse, num discurso: “Bem sei que nada tenho a oferecer, além de trabalho. Bem sei que não disponho de dinheiro nem de empregos para distribuir com a generosidade própria dos períodos pré-eleitorais. Bem sei que gigantescas ondas se levantarão contra a minha caminhada.” Finalizou advertindo: “Continuarei fiel ao lema de que não basta buscar o poder, não basta mesmo chegar ao poder com as mãos limpas: é preciso levar para o poder as soluções para os problemas nacionais.”

Lá pelos meus 10 anos eu estudava interno no Colégio Santa Maria. Numa noite houve um rebuliço porque estava jantando, no refeitório dos Irmãos, um ex-aluno famoso: Fernando Ferrari. De repente, chamaram-me porque, sendo são-pedrense, Ferrari queria me conhecer. Perguntou de quem eu era filho e pediu-me que enviasse um abraço para o meu pai Antonio. (Coisa de político). Em 25 de maio de 1963, conforme escreveu o jornalista Ricardo Chaves em sua coluna GZH Almanaque (25/05/2018) “naquela triste noite o experimentado piloto do Cessna (Ayrton Baggio) aterrissou em São Leopoldo para apanhar o fiel companheiro Ivan Coelho e rumar ao destino Torres/Três Cachoeiras”. Bem, Ivan Coelho era irmão de minha sogra e, por conta disso, convivi com pessoas que nunca negaram a admiração e o respeito devido a um grande político. O seu Spode, que tem sido meu professor de vida e da história de São Pedro, relata com o carinho típico dos avoengos, a sua vivência com Fernando Ferrari, entre as quais, a noite em que entraram a madrugada, sentados num banco da praça, quando ele esclareceu suas desavenças com Jango e Brizola. As gigantescas ondas do mar político de então. Mas, isto é outra história…

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