Os políticos e o Congresso Nacional estão tão desmoralizados que aqueles que namoram a volta da ditadura em seus devaneios antidemocráticos imaginaram que um desfile militar pudesse fazer suas excelências se borrarem de medo. Mas, no frigir dos ovos, foi um tiro n´água e o retrocesso representado pelo voto impresso foi para o brejo.
O mais surreal disso tudo é o fato que gerou tamanha e desmedida demonstração de força: a volta do voto impresso! Mas é bom lembrar que os que querem o fim da urna eletrônica são os mesmos que enterraram a lava jato e ressuscitaram a impunidade. E o murmurinho autoritário aos poucos vê o seu volume aumentar e marchar para o retrocesso.
Estou tentando dizer que é saudável e necessário, para fortalecer a democracia, termos em mãos mecanismos capazes de auditar a lisura das eleições. Mais que isso: é salutar que haja o debate e o contraditório, até porque a unanimidade, já dizia Nelson Rodrigues, é burra! A vontade popular manifestada nas urnas, inclusive a vitória de Bolsonaro, não pode ser pisoteada, nem minimizada, muito menos vilipendiada quando se pretende trocar um sistema que dá certo por outro de triste memória, que permitia a manipulação dos votos impressos e contagens e recontagens sem fim. Foi-se o tempo em que os defuntos votavam e que células eram substituídas na calada da noite diante da cumplicidade e do silêncio complacente dos que tinham a obrigação de zelar pela veracidade das eleições.
Ainda que derrotado na Câmara que colocou uma pá de cal na PEC do retrocesso, Bolsonaro age como Trump que, imaginem, tentou dar um golpe de Estado, justamente, no país símbolo da democracia. Como Trump, Bolsonaro está plantando a semente da ditadura quando diz: “Sinalizamos para uma eleição, mas que não vai se confiar nos resultados da apuração.” E disse mais: “Tirando PT, PCdoB e PSOL, que para eles é melhor o voto eletrônico os demais deputados votaram preocupados.” Não sou de nenhum dos partidos citados e, nem por isso, sou burro ou comunista. E enquanto se perde tempo discutindo o sexo dos anjos, o radicalismo vai cavando o abismo que poderá nos engolir e nos fazer sofrer as consequências de mais quatro décadas perdidas.
Acho que se perde tempo com discussões inócuas que não resolverão questões cruciais e urgentes que passam pelas águas turvas da inflação e da bizarra reforma tributária. Queiramos ou não, este brincar de governar poderá fazer um estrago maior que Lula e Bolsonaro juntos. Aliás, nenhum deles nunca se preocupou com projetos consistentes para alavancar a economia e promover o desenvolvimento social, pois nunca desceram do palanque.
E mesmo que a economia cresça 5% como dizem, ela estará estagnada. Apenas assistiremos a retomada de uma produção represada pela pandemia, que desorganizou o fluxo natural dos insumos. Não são investimentos e nem máquinas novas que impulsionam esse crescimento econômico. Haverá apenas uma redução da ociosidade.
No Brasil, a falsa esperteza sempre dá errado, o que pode ser traduzido como um infeliz tiro no pé ou n’água. Por pouco não nos chamaram de uma republiqueta de bananas, onde o obscurantismo dá as cartas e joga de mão. É bom ficar atento, porque tem gente que namora e quer o poder de olho no cofre… Lula não foi o primeiro e nem será o último…Triste, assim!


































