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Chuvas aliviam estresse da soja no Rio Grande do Sul

Atualmente, 85% das lavouras estão em fase reprodutiva, sendo 35% em florescimento e 50% em enchimento de grãos — período crítico para definição do rendimento. Josemar Parise - Emater/RS-Asca

As chuvas registradas nos últimos dias recuperaram momentaneamente as lavouras de soja no Rio Grande do Sul do estresse provocado pela falta de precipitações nas últimas semanas. A recomposição parcial da umidade do solo ocorreu em área mais abrangente, especialmente na Fronteira com o Uruguai e no Centro-Oeste do Estado, favorecendo a recuperação da turgidez vegetal e atenuando, de forma temporária, os sintomas de déficit hídrico. As informações constam no Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar.

Apesar da melhora recente, a cultura da soja ainda apresenta elevada variabilidade de potencial produtivo entre lavouras, reflexo da distribuição irregular das chuvas e da persistência de alta demanda evaporativa. Esses fatores resultaram em déficits hídricos diferenciados entre regiões e áreas de cultivo. Em parte das lavouras, a produtividade projetada permanece próxima à expectativa inicial, desde que haja continuidade das chuvas nas próximas semanas. No entanto, perdas já estão consolidadas em áreas submetidas a déficit hídrico prolongado, especialmente em solos rasos e arenosos e em posições de relevo mais elevadas.

Atualmente, 85% das lavouras estão em fase reprodutiva, sendo 35% em florescimento e 50% em enchimento de grãos — período crítico para definição do rendimento. Nas áreas mais afetadas, observam-se senescência precoce, abortamento de flores e vagens, redução da área foliar e heterogeneidade na estatura das plantas. Em contrapartida, lavouras em solos com maior capacidade de retenção de água, como várzeas e áreas com adequada cobertura de palhada, mantêm melhor condição fisiológica e maior potencial produtivo. Não há pressão significativa de pragas; são realizados controles pontuais de ácaros, tripes e percevejos. Há incidência de ferrugem-asiática, sobretudo em locais com maior umidade, com aplicações calendarizadas de fungicidas e alternância de princípios ativos.

Entre as demais culturas de verão, a colheita do milho alcança 58% de área cultivada, com produtividade satisfatória e próxima à projetada inicialmente nas áreas já colhidas. As lavouras remanescentes apresentam grande variabilidade de potencial produtivo, em razão da irregularidade das chuvas e do déficit hídrico em fases críticas. Nas áreas tardias e de segunda safra, há limitações no estabelecimento e no desenvolvimento vegetativo devido à baixa umidade do solo e às temperaturas elevadas. Onde houve precipitações recentes, observa-se recuperação parcial do potencial, condicionada à continuidade das chuvas. Há presença de cigarrinha em diversas regiões, com monitoramento e controles pontuais.

No milho destinado à silagem, o estresse hídrico segue afetando muitas lavouras, embora as precipitações esparsas tenham amenizado os efeitos das altas temperaturas e da intensa radiação solar. O impacto foi mais severo em áreas com manejo deficiente. Talhões com solo bem estruturado e adubação ajustada apresentam rendimento satisfatório, com acúmulo adequado de biomassa e matéria seca, permitindo cortes na janela ideal. Já em áreas com manejo menos criterioso, a irregularidade hídrica resultou em menor estatura e produção de massa verde, além de variação na qualidade da silagem, com possível reflexo no desempenho animal.

A colheita do feijão de primeira safra está praticamente concluída nas regiões de plantio precoce ou intermediário. Nos Campos de Cima da Serra, onde predomina o plantio tardio, ainda há áreas em desenvolvimento, floração e enchimento de grãos. Os preços pagos ao produtor estão bastante depreciados, desestimulando investimentos na segunda safra. Já o feijão de segunda safra apresenta bom estabelecimento, emergência e arranque inicial. Apesar do período de restrição hídrica e de tempo quente, o quadro é de normalidade, pois as lavouras ainda não estão nas fases mais sensíveis ao estresse hídrico.

A cultura do arroz apresenta desenvolvimento fisiológico adequado, favorecido pela elevada radiação solar e pela disponibilidade hídrica satisfatória nos sistemas de irrigação. Predominam lavouras nas fases reprodutivas de floração e enchimento de grãos, com avanço gradual da colheita nas áreas mais precoces. As temperaturas elevadas durante a antese podem ter causado esterilidade parcial de espiguetas, com possível impacto pontual no rendimento final. De modo geral, entretanto, a perspectiva é de produtividades dentro das estimativas iniciais, condicionadas à manutenção das condições hídricas e térmicas ao longo do enchimento de grãos e da maturação.

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