Todo e qualquer país sério privilegia o setor primário da economia. O objetivo é gerar segurança alimentar e, de lambuja, criar divisas, dando liquidez para o comércio internacional como um todo.
Por conta disso, já em 1931, chamada a década da agricultura primitiva, criou-se o Conselho Nacional do Café que pode ser chamado de “o pai” da criança. Porém, o que hoje conhecemos como Plano Safra, que oficialmente é o Plano Agrícola e Pecuário (PAP), fortaleceu-se em 1965, quando o governo federal, pretendendo eliminar o subsídio ao crédito, pariu o sistema de indexadores, como era chamada a política de garantir preços mínimos. Porém, foi só em 1995, no governo de Fernando Henrique Cardoso (sempre ele!), que o Plano Safra consolidou-se como política de Estado. Foi quando iniciou o período da agricultura sustentável, através de políticas agrícolas que uniram a necessidade de produzir respeitando-se o meio ambiente. Ou seja, é preciso que o produtor rural deixe de lado manejos arcaicos e predatórios e, olhando o futuro, abrace a política de promover o crescimento da agricultura protegendo as gerações futuras, ou seja, seus filhos e netos.
Considerando dados do IBGE referentes a 2020, observa-se que o PIB do agronegócio está em torno de 27%. Trocando em miúdos, significa que o setor primário é responsável por um terço das riqueza gerada no Brasil. E isso não é qualquer porqueira!
Para quem não sabe ou não quer ver, a produção agrícola é extremamente arriscada, tudo porque depende o humor de São Pedro que, entre outras santas obrigações, usa suas chaves para abrir e fechar as torneiras que causam enchentes ou secas e até geadas fora de época. (Quando guri, via meu pai varar a noite caminhando de um lado para o outro, tudo porque a chuva não chegava ou não parava. Credo!) Está claro que a atividade agrícola é de alto risco.
E, não são apenas as questões climáticas. Maus governos desequilibraram a economia nos últimos anos e os preços dos insumos dispararam como cavalo com urtiga embaixo do rabo. Só o preço dos adubos e inseticidas subiram em torno de 60%. Nem vou falar no custo do óleo diesel e suas consequências…
O Plano Safra, no fundo, busca melhorar a alocação de recursos para investimentos no setor agrícola. (O custeio é resolvido pelo sistema bancário como um todo). Pretende também, como mecanismo para segurar o produtor no campo, reduzir as flutuações de renda, sendo o grande objetivo gerar segurança alimentar.
Como nada é perfeito nesta vida, nem mesmo o nariz da Vera Fischer, o Plano Safra 2022/2023 também tem lá as suas limitações, em especial o volume de recursos disponibilizados. Está previsto uma dinheirama da ordem de R$ 340,8 bilhões. Os juros também aumentaram, variando de 5% a 12% ao ano, dependendo do porte do tomador do empréstimo. De qualquer forma, estas taxas são bem menores, comparadas com as praticadas pelo mercado e, a grosso modo, são negativas, ou seja, são menores que a inflação anualizada. É bom lembrar aos tomadores que negócios encaminhados através do BADESUL e do BRDE não exigem qualquer reciprocidade (seguro com a seguradora do banco, aplicações em renda fixa, compra de ações, etc) e os prazos máximos são respeitados.
Porém, os negócios a serem agora contratados referem-se a projetos aprovados na Plano Safra 2021/2022. Quem arremangar as bombachas e buscar recursos agora, só os terá a partir de julho de 2023. O planejamento é essencial…


































