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A TERCEIRA VIA PATINANDO

Está cada vez mais claro que o ex-governador de São Paulo, João Doria, tem um projeto político que passa ao longe dos interesses do Brasil. Com desempenho ridículo nas pesquisas eleitorais, com grande índice de rejeição, os seus interesses pessoais ameaçam explodir a viabilidade de uma candidatura única capaz de enfrentar a dupla Bolsonaro/Lula.

O fato é que o PSDB, MDB e Cidadania não conseguem construir uma candidatura competitiva, capaz de emocionar cerca de 1/3 do eleitorado que não se sente à vontade para votar num corrupto ou num porra loca. Lula e Bolsonaro, por razões diferentes, já provaram que não tem estrutura moral, nem envergadura política para reconduzir o Brasil para o caminho do crescimento econômico, que passa, obrigatoriamente, pelo controle do déficit público e o combate eficaz à inflação. Qualquer um deles que se eleja, fortalecerá práticas populistas e patrimonialistas, que tanto mal já fizeram e continuam fazendo para o respeitável público.

Fora do eixo quase que plebiscitário que é oferecido, ou seja votar sim ou não nos candidatos já postos, a turma do “nem Bolsonaro, nem Lula”, espera o surgimento de alguém capaz de impedir que se tenha de optar pelo menos pior. Aí aparece a senadora Simone Tebet (MDB-MS) como preferida para desafiar e em condições de enfrentamento aos candidatos já lançados e que somam cerca de 65% das intensões de votos dos entrevistados.

Aliás, é bom lembrar que qualquer pesquisa, pela sua essência, retrata tão somente uma tendência observada num determinado momento. Ou seja, ainda há espaço para o surgimento da terceira via.

Mas seria Simone Tebet a solução?  

Esta é a pergunta que se fazem todos os que não desejam que os erros do passado se repitam no futuro. Mas, já que não surgiu um nome mais capaz e palatável, capaz de sensibilizar e de encantar, ela é encarada como o mal menor. E isso é frustrante! Ela não entusiasma, até porque Michel Temer está por trás de sua candidatura. Não dá para esquecer que Temer é outra figurinha carimbada no universo das práticas da velha política que nos levaram ao mensalão e a corrupção generalizada do lulopetismo.

 A questão não é ideológica. É de descrença, mesmo! Descrença que as candidaturas já postas, uma vez no poder, possam realizar os anseios do respeitável público que não se deixou fanatizar por A ou B. O triste é que na esteira deste processo, por questões de ambição pessoal e de vaidades exacerbadas, a conquista de poder pelo simples poder, está deixando um rastro de mágoas e de desencanto com o futuro do Brasil.

Mas o resumo da ópera não é animador, até porque o PSDB de João Doria não aprendeu nada como o fiasco de 2018. Já Lula, o “honesto”, nas últimas eleições nunca emplacou menos de 30% dos votos. E, enquanto isso, a dupla Lula/Bolsonaro esfregam as mãos, pois chega ser hilária a situação de uma oposição que bate cabeça e queima energia em brigas paroquiais, onde fica escancarada as quintas intensões de quem pretenda se eleger. Enquanto isto, a terceira via patina no atoleiro das ambições pessoais, atestando a inviabilidade de se mudar as coisas em nosso Brasil.

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