O tradicionalismo gaúcho poderá viver um momento histórico nos próximos meses. A técnica de enfermagem Bruno Pradella Machado, de 25 anos, integrante do CTG Quero-Quero, de São Jerônimo, inicia no próximo fim de semana uma caminhada que poderá torná-la a primeira mulher trans a disputar o título de 1ª Prenda do Rio Grande do Sul.
Anteriormente, em 2019, o MTG já havia homenageado Gabriella Meindrad, de São Vicente do Sul, como a primeira mulher trans a integrar o movimento e vestir a faixa de prenda.
A etapa inicial dessa trajetória será o Concurso Regional de Prendas da 2ª Região Tradicionalista (2ª RT), que acontece em General Câmara. Caso conquiste a classificação, Bruno avançará para a fase estadual da Ciranda Cultural de Prendas, considerada uma das mais importantes e tradicionais competições do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG).
Mais do que uma disputa cultural, a participação representa um marco para a inclusão e a diversidade dentro do tradicionalismo. Historicamente, os concursos de prendas são espaços de valorização da cultura gaúcha, reunindo candidatas que demonstram conhecimento sobre história, folclore, arte, literatura, tradição e costumes do Rio Grande do Sul.
Ao colocar seu nome na disputa, Bruno passa a simbolizar uma nova etapa do movimento tradicionalista, levando para dentro de um dos ambientes mais representativos da cultura gaúcha o debate sobre respeito, pertencimento e representatividade.
Integrante do CTG Quero-Quero, uma das entidades mais tradicionais da região carbonífera, ela construiu sua trajetória no meio tradicionalista participando de atividades culturais e fortalecendo sua ligação com as raízes gaúchas. Agora, vê a possibilidade de representar não apenas sua entidade e seu município, mas também abrir caminho para que outras pessoas trans possam ocupar espaços historicamente restritos.
A expectativa em torno da candidatura ultrapassa os limites da 2ª Região Tradicionalista. Nas redes sociais e entre lideranças do movimento, o nome da jovem já desperta atenção por representar um fato inédito no Estado. Caso avance até a etapa final da Ciranda Cultural de Prendas, Bruno entrará para a história como a primeira mulher trans a disputar oficialmente uma das faixas mais simbólicas do tradicionalismo gaúcho.






































