São Pedro do Sul será palco de um dos eventos mais importantes dedicados à história, à geografia, à cultura e ao patrimônio missioneiro. Nos dias 13 e 14 de novembro de 2026, o município receberá pesquisadores, historiadores, estudantes e a comunidade para uma programação intensa de palestras, rodas de conversa e momentos de aprendizado. Um dos pontos altos desta edição será a ilustre presença da Relíquia Sagrada do Padre Roque González, tornando o encontro um marco histórico e de profunda fé para a região.
O 4º Fórum Primeira Fase Missioneira é um convite para aprofundar saberes e fortalecer os laços com a identidade missioneira — uma herança que, no caso de São Pedro do Sul, remonta às origens mais profundas da colonização ibérica e guarani no Rio Grande do Sul.
O Primeiro Ciclo Missioneiro e a Redução de San José do Itaquaty
Muito antes da consolidação dos Sete Povos das Missões no século XVIII, o território gaúcho viveu o seu Primeiro Ciclo Missioneiro (1626–1638). Impulsionado inicialmente pelas expedições do Padre Roque González, esse período pioneiro marcou a expansão dos jesuítas da Companhia de Jesus para além do Rio Uruguai.
Nesse cenário, o atual município de São Pedro do Sul abriga em seu solo a memória de um dos capítulos mais expressivos dessa época: a Redução Jesuítica de San José do Itaquaty.
Fundada por volta de 1633 pelos padres jesuítas Luis Ernot e Manuel Bertot (contando posteriormente com a chegada do padre José Catalino), a redução iniciou sua trajetória reunindo cerca de 400 indígenas. Graças à dinâmica de organização comunitária, agricultura e catequese, o aldeamento expandiu-se expressivamente, chegando a abrigar uma população estimada em cerca de 5.800 pessoas.
O nome Itaquaty (ou Itaquatiá), de raiz guarani, faz referência a “pedra pintada” ou “pedra escrita”, mantendo forte ligação com as formações rochosas e sítios arqueológicos da região, como a célebre área da Pedra Grande.
Do esplendor à resistência: o impacto dos bandeirantes
Como a maioria das reduções do primeiro período, San José do Itaquaty teve vida curta, porém intensa. A prosperidade do aldeamento e a estabilidade da comunidade guarani sob a tutela jesuítica foram drasticamente interrompidas na segunda metade da década de 1630, devido às violentas incursões dos bandeirantes paulistas.
Em busca de mão de obra indígena para a escravização, as bandeiras destruíram e desmantelaram os redutos missioneiros da região central do Estado. Pressionados pelas invasões, os jesuítas e os sobreviventes guaranis foram forçados a abandonar o local por volta de 1638, migrando posteriormente para áreas a oeste do Rio Paraná e do Rio Uruguai.
Serviço: Participe do Encontro Missioneiro
Resgatar essa história é o grande objetivo do evento que acontece em novembro na Casa de Cultura. As vagas são limitadas e as inscrições devem ser realizadas até o dia 10 de novembro de 2026 neste link. Informações fone 55 3276-6102









































